17/01/2014

TEMPOS TURBULENTOS QUE OCORRERÃO EM BREVE


O tempo de angústia, que há de aumentar até o fim, está muito próximo. Não temos tempo a perder. O mundo está agitado com o espírito de guerra. As profecias do capítulo onze de Daniel quase atingiram o seu cumprimento final.

O tempo de angústia – angústia qual nunca houve, desde que houve nação (Dan. 12:1) – está precisamente sobre nós, e somos semelhantes às virgens adormecidas. Devemos acordar e pedir que o Senhor Jesus ponha debaixo de nós os Seus braços eternos e nos conduza durante o tempo de provação à nossa frente.

O mundo está-se tornando cada vez mais iníquo. Em breve surgirá grande perturbação entre as nações – perturbação que não cessará até que Jesus venha.

Estamos mesmo no limiar do tempo de angústia, e acham-se diante de nós perplexidades com que dificilmente sonhamos.

Estamos no limiar da crise dos séculos. Em rápida sucessão os juízos de Deus se seguirão uns aos outros – fogo, inundações e terremotos, com guerras e derramamento de sangue.

Há perante nós tempos tempestuosos, mas não pronunciemos uma só palavra de incredulidade ou desânimo.

16/01/2014

PERMITA SENHOR...


... que eu aceite as minhas derrotas assim como fico feliz com as minhas vitórias sem acusar nada ou ninguém ao meu redor.

... que eu possa perdoar a quem me fere sem mágoas, sem me sentir uma vítima por isso.

... que eu entenda que as dificuldades da vida fazem parte do meu crescimento como ser humano.

... que eu possa ser um ombro amigo a quem precise, sem me sentir especial por isso, e sem me revoltar quando não for reconhecido.

... que eu seja humilde e perceba que à minha volta outros sofrem bem mais do que eu.

... que eu consiga sorrir mais e ser feliz com o que me destes.

... que eu tenha mais bondade, piedade, carinho, compreensão e amor para com meu irmão.

... e, principalmente, me ensine a não pensar somente em mim, deixando de ser egoísta até em minhas orações!


"Antes de começar a criticar os defeitos dos outros, enumere ao menos dez dos teus".

O MELHOR PEDAÇO


Serapião era um velho mendigo que perambulava pelas ruas da cidade. Ao seu lado, o fiel escudeiro, um vira lata, que atendia pelo nome de Malhado.
Serapião não pedia dinheiro. Aceitava sempre um pão, uma banana, um pedaço de bolo ou um almoço, feito com sobras de comida dos mais abastados.

Quando suas roupas estavam imprestáveis, logo era socorrido por alguma alma caridosa. Mudava a apresentação e era alvo de brincadeiras.
Serapião era conhecido como um homem bom, que perdera a razão, a família, os amigos e até a identidade. Não bebia bebida alcoólica, estava sempre tranqüilo, mesmo quando não havia recebido nem um pouco de comida. Dizia sempre que Deus lhe daria um pouco na hora certa e, sempre na hora que Deus determinava, alguém lhe estendia uma porção de alimentos.

Serapião agradecia com reverência e rogava a Deus pela pessoa que o ajudava. Tudo que ganhava, dava primeiro para o Malhado, que, paciente, comia e ficava à espera por mais um pouco.
Não tinham onde dormir; onde anoiteciam, lá dormiam. Quando chovia, procuravam abrigo embaixo da ponte do Ribeirão Bonito e, ali, o mendigo ficava a meditar, com um olhar perdido no horizonte.

Aquela figura me deixava sempre pensativo, pois eu não entendia aquela vida vegetativa, sem progresso, sem esperança e sem um futuro promissor.
Certo dia, com a desculpa de lhe oferecer umas bananas, fui bater um papo com o velho Serapião. Iniciei a conversa falando do Malhado, perguntei pela idade dele, o que Serapião, não sabia. Dizia não ter idéia, pois, se encontraram um certo dia quando ambos andavam pelas ruas.

– Nossa amizade começou com um pedaço de pão - disse o mendigo. - Ele parecia estar faminto e eu lhe ofereci um pouco do meu almoço e ele agradeceu, abanando o rabo, e daí, não me largou mais. Ele me ajuda muito e eu retribuo essa ajuda sempre que posso.
– Como vocês se ajudam? - perguntei.

– Ele me vigia quando estou dormindo; ninguém pode chegar perto que ele late e ataca. Também quando ele dorme, eu fico vigiando para que outro cachorro não o incomode.
Continuando a conversa, perguntei:

– Serapião, você tem algum desejo de vida?
– Sim - respondeu ele. – Tenho vontade de comer um cachorro quente, daqueles que a Zezé vende ali na esquina.
– Só isso? - indaguei.
– É, no momento, é só isso que eu desejo.
– Pois bem, vou satisfazer agora esse grande desejo.

Saí e comprei um cachorro quente para o mendigo. Voltei e lhe entreguei. Ele arregalou os olhos, deu um sorriso, agradeceu a dádiva e em seguida tirou a salsicha, deu para o Malhado, e comeu o pão com os temperos. Não entendi aquele gesto do mendigo, pois imaginava ser a salsicha o melhor pedaço.

– Por que você deu a salsicha para o Malhado? - perguntei, intrigado.
Ele, com a boca cheia, respondeu:
– Para o melhor amigo, o melhor pedaço!
E continuou comendo, alegre e satisfeito.


Autoria de Innocêncio de Jesus Viégas


“Um tesouro nem sempre é um amigo, mas um amigo sempre é um tesouro”.

A ÁGUIA E A GALINHA


Um camponês criou um filhote de águia junto com suas galinhas, tratando-a da mesma maneira que tratava as galinhas, de modo que ela pensasse que também era uma galinha.
Dava a mesma comida jogada no chão, a mesma água num bebedouro rente ao solo, e fazendo-a ciscar para complementar a alimentação, como se fosse uma galinha.
E a águia passou a se portar como se galinha fosse.

Certo dia, passou por sua casa um naturalista, que vendo a águia ciscando no chão, foi falar com o camponês:
– Isto não é uma galinha, é uma águia!
O camponês retrucou:
– Agora ela não é mais uma águia, agora ela é uma galinha!

O naturalista disse:
– Não, uma águia é sempre uma águia, vamos ver uma coisa. Levou-a para cima da casa do camponês e elevou-a nos braços e disse:
– Voa, você é uma águia, assuma sua natureza!
– Mas a águia não voou, e o camponês disse:
– Eu não falei que ela agora era uma galinha!

O naturalista disse: amanhã veremos.

No dia seguinte, logo de manhã, eles subiram até o alto de uma montanha. O naturalista levantou a águia e disse:
– Águia, veja este horizonte, veja o sol lá em cima, e os campos verdes lá em baixo, veja, todas estas nuvens podem ser suas. Desperte para sua natureza, e voe como águia que és.

A águia começou a ver tudo aquilo, e foi ficando maravilhada com a beleza das coisas que nunca tinha visto, ficou um pouco confusa no inicio, sem entender o porquê tinha ficado tanto tempo alienada.
Então ela sentiu seu sangue de águia correr nas veias, perfilou, devagar, suas asas e partiu num vôo lindo, até que desapareceu no horizonte azul.


“Voe cada vez mais alto, não se contente com os grãos que lhe jogam para ciscar. Nós somos águias, não temos que agir como galinhas”

O VALOR E O DINHEIRO


Havia um homem que, graças à sua imensa riqueza e sua infinita ambição, resolveu comprar tudo o que estava ao seu alcance. Depois de encher suas muitas casas de roupas, móveis, automóveis e jóias, o homem resolveu comprar ainda outras coisas mais.

Comprou a ética e a moral, e nesse momento foi criada a corrupção.

Comprou a solidariedade e a generosidade, e então a indiferença foi criada.

Comprou a justiça e suas leis, fazendo nascer na mesma hora a impunidade.

Comprou o amor e os sentimentos, e surgiu a dor e o remorso.

O homem mais poderoso do mundo comprou todos os bens materiais que queria possuir e todos os valores que desejava dominar. Até que um dia, já embriagado por tanto poder, resolveu comprar a si mesmo.

Apesar de todo o dinheiro, não conseguiu realizar seu intento. Então, a partir desse momento, criou-se na consciência da Terra um único bem que nenhuma pessoa pode pôr preço: seu próprio valor.


“Procure ser um homem de valor, em vez de procurar ser um homem de sucesso”. - Albert Einstein

A MORTE ANUNCIADA



Em meados de 1970, quando estava prestes a completar seu doutorado em física, o cientista Stephen Hawking – já então portador de uma doença que ia paralisando seus movimentos – escutou um médico dizer que tinha apenas mais dois anos de vida.

“Então posso tentar entender o universo, porque não vou mais precisar pensar em coisas como aposentadoria e contas a pagar”, resolveu ele.

Como a doença progredia rapidamente, foi obrigado a criar fórmulas simples para explicar – no menor espaço de tempo possível – tudo aquilo que pensava.

Dois anos e meio se passaram, dez anos se passaram, vinte anos se passaram, trinta anos se passaram, e Hawking continua vivo. É capaz de comunicar suas idéias abstratas através de um pequeno computador acoplado a sua cadeira de rodas, e que possui apenas quinhentas palavras diferentes. Escreveu o clássico livro “Uma breve história do tempo”, e foi responsável por uma nova visão da física moderna.

A doença, em vez de conduzi-lo à invalidez total, forçou-o a descobrir uma nova maneira de raciocínio.


“No meio de toda dificuldade existe sempre uma oportunidade”.


 - Albert Einstein

AS QUATRO ESTAÇÕES


Um homem tinha quatro filhos. Ele queria que seus filhos aprendessem a não julgar as coisas de modo apressado, por isso, ele mandou cada um em uma viagem, para observar uma parreira que estava plantada em um distante local.

O primeiro filho foi lá no inverno, o segundo na primavera, o terceiro no verão, e o quarto e mais jovem, no outono.

Todos eles partiram, e quando retornaram, o pai os reuniu, e pediu que cada um descrevesse o que tinham visto.

O primeiro filho disse que a árvore era feia, torta e retorcida.

O segundo filho disse que não, que ela era recoberta de botões verdes, e cheia de promessas.

O terceiro filho discordou; disse que ela estava coberta de flores, que tinham um cheiro tão doce e eram tão bonitas, que ele arriscaria dizer que eram a coisa mais graciosa que ele jamais tinha visto.

O último filho discordou de todos eles; ele disse que a árvore estava carregada e arqueada, cheia de frutas, vida e promessas.

O homem então explicou a seus filhos que todos eles estavam certos, porque eles haviam visto apenas uma estação da vida da árvore.

Ele falou que não se pode julgar uma árvore, ou uma pessoa, por apenas uma estação, e que a essência de quem eles são, e o prazer, a alegria e o amor que vêm daquela vida podem apenas ser medidos ao final, quando todas as estações estão completas.

Se você desistir quando for inverno, você perderá a promessa da primavera, a beleza de seu verão, a expectativa do outono.

Não permita que a dor de uma estação destrua a alegria de todas as outras. Não julgue a vida apenas por uma estação difícil. Persevere através dos caminhos difíceis, e melhores tempos certamente virão de uma hora para a outra.


“Os vencedores da batalha da vida são homens perseverantes que, sem se julgarem gênios, se convenceram de que só pelo esforço e perseverança poderiam chegar ao fim almejado”.

A PEQUENA HORTA


Sr. Manolo era um velhinho de origem espanhola, de hábitos simples, olhos bondosos e sorriso agradável. As faces enrugadas, os cabelos completamente brancos, o corpo curvado e o modo de andar vagaroso mostravam a idade bastante avançada do simpático velhinho.

De fato, o Sr. Manolo muito vivera e, também muito sofrera. A esposa querida e os filhos adorados já haviam partido e, vivendo sozinho, sem família, sua vida seria bem triste se não dedicasse sua atenção à pequena, mas preciosa horta, que cultivava com muito carinho.

Ali passava os dias cuidando das plantas, e seu trabalho era recompensado: sua horta era linda! A mais bem tratada da vizinhança! Todos a admiravam, e não havia quem não tivesse provado as deliciosas frutas e verduras que o Sr. Manolo, generosamente, gostava de oferecer aos vizinhos. Assim vivia nosso velhinho, sempre ocupado com a bonita horta que lhe trazia tanta alegria.

O tempo ia passando, passando, até que aconteceu uma coisa que o Sr. Manolo não esperava.

Num domingo, em que saíra para dar um passeio, ao voltar à casa encontrou sua horta em completo rebuliço: as belas plantas floridas, as verduras e frutas, tudo aquilo que era o encanto de sua vida, estava quase que inteiramente destruída.

Tamanha foi a emoção que não pôde dizer uma única palavra. Apenas as lágrimas, que lhe rolavam pela face envelhecida, mostravam o sofrimento que lhe ia na alma.

- Quem teria sido? - pensava ele - quem o ferira, assim, com tanta maldade?

E o Sr. Manolo chorava, olhando as mãos cheias de calos, como que perguntando se ainda teria forças para refazer sua querida horta.

Depois, mais sereno, começou a passar os olhos pela plantação estragada. Achou, então, atirada ao solo, uma pá que não era sua. Examinado-a com atenção, reconheceu as iniciais que nela estavam gravadas e ficou, por algum tempo, com a pá nas mãos, imóvel, pensativo. Seu olhar fixo, no entanto, demonstrava a grande luta que havia em seu espírito.

Que devia fazer?

Dar parte as autoridades?

E o velhinho pensava, pensava...

Finalmente, com um profundo suspiro e balançando a cabeça com tristeza, afastou-se da horta, levando para casa a pá que encontrara.

Alguns dias se passaram. Estava o Sr. Manolo sentado à frente de sua casa, quando aproximou-se seu vizinho Pedro, para pagar-lhe uma conta antiga. Ouviu com delicada atenção, as desculpas do vizinho, que lhe explicava as razões da demora, e, quando Pedro abriu a carteira, falou-lhe com bondade:

- Não amigo, não preciso desse dinheiro. Você tem filhos pequenos e sei que está passando por dificuldades. Não se preocupe mais com o pagamento. Tanto recusou o Sr. Manolo que Pedro muito agradecido, porém, um pouco confuso, voltou para casa.

Novos dias se passaram. Certa noite, fria e chuvosa, o Sr. Manolo acordou com barulhos estranhos na casa do vizinho Pedro. Gemidos, correrias... Que estaria acontecendo?

Preocupado levantou-se e dirigiu-se para lá. Encontrou Pedro muito aflito, sem saber o que fazer, a esposa gravemente enferma, gemia na cama e ele não se animava a deixá-la para ir buscar o médico.

- Não se aflija, amigo, eu irei - disse o velhinho, prestativo - ainda tenho disposição para enfrentar o mau tempo. Sem esperar resposta, lá foi ele, curvado sob a forte chuva à procura do médico. Em breve voltaram e a doente foi atendida.

No dia seguinte, Pedro, muito pálido e abatido, caminhava pela sua horta ainda alagada pela chuva da véspera. Suas passadas incertas, seus gestos nervosos e, sobretudo, os olhos cheios de aflição, revelavam a confusão que lhe ia na alma. Pedro pensava e murmurava com voz trêmula:

- Que vergonha, meu Deus! Quanta maldade trago no coração! Como pude estragar tanta coisa?

Se o Sr. Manolo soubesse... Ele, que é tão bom e tanto tem me ajudado...

E Pedro lembrava o dia infeliz em que, embriagado, destruíra quase toda a horta do vizinho, aquele prodígio de trabalho e paciência que sempre invejara. Lembrava-se bem do que fizera e da pá que abandonara, entre as plantas caídas. Várias noites fora procurá-la, mas não encontrara. Onde estaria ela, o instrumento com que praticara tão feia ação.

- Se o Sr. Manolo a descobrisse, jamais me teria socorrido - murmurava sempre caminhando, embaraçado com a idéia de que o vizinho pudesse saber a terrível verdade.

Nisto, parou, admirado. Rápido abaixou-se e puxou o cabo de um instrumento que percebera como que caído ao acaso, entre os canteiros de sua horta. Era uma pá! Como fora parar ali?

Examinou melhor o lugar: era perto do muro, justamente no ponto de mais fácil acesso.

Pedro, compreendeu tudo:

- O Sr. Manolo já sabia que fui eu quem estragou as plantações tão bem cuidadas! E havia devolvido a pá que poderia provar a minha culpa!

Então, sem mais demora, Pedro correu a casa do velho espanhol. Encontrou-o trabalhando ativamente:

- Olá, amigo seja bem-vindo! - disse o velhinho, parando e apoiando-se na enxada.

Pedro aproximou-se humildemente. Quis falar e não pôde, soluços lhe sufocaram a voz. Ajoelhou-se aos pés do velhinho e beijou-lhe as mãos, molhando-as com suas lágrimas.

O Sr. Manolo, comovido, sem nada comentar, olhava-o com bondade, fazendo, contudo, com que o vizinho se levantasse.

Pedro ergueu-se e, animado pelo sorriso acolhedor do velhinho, enxugou as lágrimas, e disse:

- Perdão! Perdoa-me, eu estava bêbado e coberto de inveja quando destruí sua horta. Perdão!

Depois, silenciosamente, pegou a enxada e começou a capinar vigorosamente, com o firme desejo de desfazer os prejuízos que causara àquele bom homem que já o havia perdoado.


“Errar é humano. Perdoar é Divino”.

O SONHO DE MARTIN LUTHER KING


“Meus amigos,

Embora as dificuldades de hoje, eu ainda tenho um sonho de que, um dia, aceitemos de que todos os homens são criados iguais.

Que os filhos de antigos escravos e de antigos senhores de escravos, poderão sentar-se juntos à mesa da fraternidade e até mesmo o local mais sufocado pelo calor da injustiça, será transformado num oásis de liberdade e justiça.

Que meus filhos viverão num mundo, onde não serão julgados pela cor de sua pele e sim pelo conteúdo de seu caráter.

Quando deixarmos soar a liberdade em cada lugarejo, chegará o dia em que todos, filhos de Deus, negros e brancos, judeus e cristãos, protestantes e católicos, muçulmanos e budistas, poderão dar-se as mãos e cantar, ‘Livres, agradeçamos a Deus, somos livres, enfim’”.

Trechos adaptados do discurso “I have a dream!” (“Eu tenho um sonho!”), realizado em Washington D.C., EUA, em 28/08/1963, por Martin Luther King, prêmio Nobel da paz em 1964.

No dia 4 de abril de 1968, em Memphis, EUA, Martin Luther King perdia sua vida, assassinado a tiros, porém, seu sonho de um mundo mais justo e fraterno, sem derramamento de sangue ou violência jamais terá fim.

“Aprendemos a voar como pássaros, a nadar como peixes, mas não aprendemos a conviver como irmãos”.

 - Martin Luther King

O ANJO SURDO


Conta-se que uma mulher vivia sozinha e muito se lamentava de solidão e nenhuma companhia.
Ninguém jamais aparecia em sua casa. Certa manhã chovia muito, e alguém bateu à sua porta: era um pequeno homem, tremendo de frio, molhado da cabeça aos pés.

Vendo o visitante tão inesperado, imediatamente mandou-lhe que entrasse.
Ali, com as vestes pingando, ele ouviu a mulher que por mais de hora lamentou sua solidão e falta de companhia.

Ela não lhe ofereceu roupas secas ou algo quente para se aquecer, tão envolvida estava em suas próprias queixas.
Ele não tirava os olhos dos seus lábios em movimento ansioso, contínuo e disparado.

Cessada a chuva, ele fez menção de sair da casa, no que a mulher se inquietou:
- "Espere! Nem sei seu nome! Você voltará?"
Ao que o homem reagiu, estendendo-lhe um papel totalmente seco, onde se lia:

- Sou o Anjo Surdo. Só posso ouvir corações. Trago o remédio que cura a solidão, fazendo nascer amizades. Seu efeito não se manifesta naqueles que só falam de si e pensam apenas em si próprios.

Isso dito, desapareceu, e nunca mais alguém bateu naquela porta.


“O homem de bem exige tudo de si próprio; o homem medíocre espera tudo dos outros”.