22/12/2013

NEM TRÊS,NEM REIS! A VERDADEIRA HISTÓRIA DOS MAGOS


Figuras notórias nos cartões natalinos, os três reis magos exercem fascínio sobre os cristãos do mundo inteiro. Mas quem disse que eram “reis”? E mais: quem disse que eram “três”? Não há uma única passagem bíblica que afirme isso. Presume-se que eram três por serem três os presentes que trouxeram ao menino Jesus. Mas não há qualquer indício para que presumamos que eram reis.

Até nomes e nacionalidades já lhes foram atribuídos: Baltazar, o árabe; Belchior, o indiano; e Gaspar, o etíope. Geralmente, eles aparecem nos quadros natalinos ao redor da manjedoura, porém a Bíblia sugere que ao chegarem a Belém, Jesus já teria por volta de dois anos.

Se quisermos distinguir entre o que diz a tradição e o que dizem as Escrituras, nada melhor do que examinarmos o texto bíblico em busca de mais informações sobre esses personagens misteriosos, aproveitando para buscar edificação para nossas vidas. Afinal, nada do que está registrado na Bíblia tem outro propósito que não seja nos edificar.

“Tendo Jesus nascido em Belém da Judéia, no tempo do rei Herodes, vieram uns magos do Oriente à Jerusalém, e perguntavam: Onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Vimos a sua estrela no Oriente, e viemos adorá-lo” (Mt.2:1-2).

Quem seriam os magos? Por que foram chamados assim? Pode-se conjecturar a partir de evidências extra-bíblicas. A palavra “magoi”, traduzida como “magos” sugere que eles pertenciam à casta sagrada dos Medos, sendo sacerdotes da Pérsia. A religião praticada por eles provavelmente era o Zoroastrismo, que proibia a feitiçaria; seu encontro com Jesus se deveu à sua astrologia e habilidade de interpretar sonhos.

Naquela época não havia distinção entre astronomia e astrologia. Todos os que se ocupavam a estudar os fenômenos celestes eram astrólogos. Portanto, a astrologia era considerada uma ciência. A aparição de um novo astro nos céus indicava que algo extraordinário estava por acontecer.

Acerca da misteriosa estrela, há várias explicações plausíveis.

# A palavra “aster” pode significar um cometa.

# A estrela poderia ter sido a conjunção de Júpiter e Saturno (7 a.C.), ou de Júpiter e Venus (6 a.C.). Conjunção é quando dois astros parecem se fundir nos céus devido a um alinhamento raro, e assim, dão a impressão de serem um único astro, mais brilhante que todos à sua volta.

# Os Magos podem ter avistado uma super-nova, uma estrela que aumenta de repente em tamanho e brilho e em seguida, diminui novamente. Fenômeno muito raro de ser avistado à olho nu.

Estas teorias, embora razoáveis, deixam de lado a explicação que “a estrela que tinham visto no Oriente, ia adiante deles até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino”(Mt. 2:9). Que fenômeno celeste seria capaz de tal proeza?

Teria sido a Estrela de Belém um milagre, tal qual a coluna de fogo que permaneceu no arraial durante o Êxodo dos hebreus (Êx.13:21)? Ou como o resplendor de Deus que brilhou em torno dos pastores no campo (Lc.2:9), ou ainda como a luz proveniente do céu que apareceu a Saulo de Tarsos no caminho de Damasco (At.9:3)?

Tenha sido um fenômeno natural ou sobrenatural, o que importa que os magos se deixaram guiar por ele, e isso os levou até Jerusalém. Provavelmente, eles imaginaram que o novo rei teria nascido em Jerusalém. Que outro lugar haveria para que um monarca judeu nascesse do que na cidade dos reis?

Eles também achavam que todos estavam a par da boa notícia. Mas se equivocaram. Ninguém na cidade sabia que algo extraordinário havia acontecido. “Quando o rei Herodes ouviu isto, alarmou-se e com ele toda Jerusalém” (Mt.2:3). A voz dos magos ecoou pelas ruas e mercados da cidade santa. Mas em vez de alegrar-se com a notícia, todos se alarmaram.

Logo agora que todos já haviam se acostumado à idéia de terem Herodes, um edomita, como rei, a aparição de um novo rei subverteria a ordem, o Status Quo. E vale dizer que conquistar a simpatia dos judeus custou muito caro a Herodes. Entre os empreendimentos que visava conquistar a admiração dos judeus, estava a restauração do templo, tornando-o ainda mais suntuoso do que nos tempos áureos.

Herodes, agora, se sentia ameaçado. Ele sabia que não tinha o direito de sentar-se naquele trono. Ele não pertencia à linhagem de Davi. Sequer era judeu. Por isso, convocou “todos os principais sacerdotes, e os escribas do povo”, e “perguntou-lhes onde havia de nascer o Cristo”(v.4).

Os magos não possuíam todas as informações. Eles sabiam que o menino havia nascido, mas não tinham idéia de “onde”. Nada indica que eles conhecessem os textos sagrados, as profecias. O único livro de que dispunha para obter informações sobre o nascimento do Messias era o “livro da natureza”. A astrologia era a sua ciência.

Há que se ponderar aqui sobre algo: a ciência não responde a todas as nossas perguntas. Através da ciência podemos fazer uma leitura dos fenômenos naturais que nos forneceram indícios acerca de Deus. Há que se deduzir: se há leis que regem o Universo, logo, há por trás delas um Legislador.

Não há razão para que a fé e a ciência se ponham em trincheiras opostas. Cada uma se dispõe a responder a perguntas diferentes, que abarcam sua área de atuação.

Em se tratando da criação, por exemplo, podemos dizer que a ciência se propõe a responder a duas perguntas: “quando”, e “como”. Já a fé deve focalizar em outras questões: “quem”, e “pra quê”.

No caso que estamos examinando, a ciência levou os magos na direção certa, porém, faltava-lhes algumas informações que só a revelação contida na Palavra é capaz de suprir.

Herodes mandou chamar a “nata” da teologia de sua época. Ninguém conhecia tão bem as escrituras do que os sacerdotes e os escribas. Os primeiros, porque a liam constantemente. E os escribas porque a copiavam exaustivamente.

“Eles lhe responderam: Em Belém da Judéia, pois foi isto que o profeta escreveu: E tu, Belém, terra de Judá, de modo nenhum és o menor entre os governantes de Judá; pois de ti sairá um guia que apascentará o meu povo, Israel” (Mt.2:6).

Embora buscasse na fonte certa a resposta, a motivação de Herodes era a pior possível. Como ele, há muitos em nossos dias que usam das Escrituras para alcançar objetivos espúrios, assim como há muitos cientistas, alguns deles ateístas, que buscam respostas com a melhor das intenções.

O texto prossegue, dizendo que “Herodes chamou em secreto os magos, inquiriu deles exatamente acerca do tempo em que a estrela aparecera” (v.7).

Por que Herodes não buscou tal informação nas Escrituras? Simplesmente, porque elas não ao contém. Assim também, é perda de tempo buscar certas informações nas páginas das Escrituras.
A Bíblia jamais se preocupou em oferecer um cronograma exato de acontecimentos históricos. Dizer que a criação se deu há cerca de seis mil anos, por exemplo, é fazer uma leitura ingênua e equivocada do livro sagrado.

Depois de certificar-se do tempo em que a estrela aparecera, Herodes enviou-os a Belém, dizendo-lhes: “Ide e perguntai diligentemente pelo menino. Quando o achardes, avisai-me, para que eu também vá e o adore” (v.8).

Os meios usados por Herodes para obter informação sobre o nascimento do Messias eram legítimos e louváveis, porém suas motivações e seu objetivo eram deploráveis. Aqui encontramos o inverso do que foi proposto por Maquiavel: os meios justificando os fins!

“Tendo eles ouvido o rei, partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles até que, chegando, se deteve sobre o lugar onde estava o menino. Vendo eles a estrela, alegraram-se imensamente” (vv.9-10).

Por que, antes de chegarem a Belém, eles passaram por Jerusalém? Porque a estrela os guiara até lá. Porém, ela não se estagnou. Era apenas uma escala na viagem, não o destino final. A estrela só parou sobre o lugar onde estava o menino.

Imagine a alegria daqueles homens, depois de viajarem por cerca de 1200 milhas, empregando para isso cerca de doze meses de camelo em um trajeto por regiões inóspitas e desérticas do oriente médio.

Para a surpresa deles, o Messias anunciado pela estrela não fora encontrado nos palácios de Jerusalém, mas em uma modesta casa em Belém.

“Entrando na casa, viram o menino com Maria, sua mãe e, prostrando-se, o adoraram. Então, abrindo os seus tesouros, lhe apresentaram suas dádivas: ouro, incenso e mirra” (v.11).

De alguma maneira, eles chegaram à conclusão de que aquele menino não era apenas mais um monarca, mas o próprio Deus que Se fizera homem. Por isso, sentiram-se compungidos a se prostrar e adorá-Lo.

Chegara a hora de descarregar seus camelos. Em vez de fraldas, mamadeiras, chupetas, e outras coisas que geralmente se dá um nenê, eles presentearam ouro, incenso e mirra.

O incenso era considerado oferenda sagrada. Todas as religiões do Oriente o usam em seus rituais, inclusive o budismo. Ao presenteá-Lo com incenso, estavam reconhecendo Sua divindade.

A mirra era o perfume usado para embalsamar os mortos. Cada família deveria ter em casa mirra suficiente para um eventual falecimento de um ente. Portanto, quem Lhe presenteou com a mirra, estava profetizando a Sua morte em favor da humanidade. Ali estava alguém que nascera para morrer. Entretanto, aquela mirra jamais fora usada em Jesus. Quando Maria foi ao Seu túmulo para embalsamá-lo, Ele já havia ressuscitado. Além do mais, dias antes de morrer, outra Maria, irmã de Lázaro, se antecipou a derramar um perfume caríssimo sobre Jesus, preparando-o para o sepultamento, conforme Ele mesmo testificou. A propósito, aquele perfume era destinado a Lázaro, porém não foi usado nele, para ser usado em Jesus. Por isso, Lázaro cheirava mal depois de quatro dias de sepultamento. Não era comum que isso acontecesse a um judeu. Quanto à mirra com que fora presenteado pelos magos, provavelmente tenha sido usado em algum outro familiar de Jesus. De qualquer maneira, profetizava Sua morte.

E quanto ao ouro? Para saber a necessidade de se presentear o Messias com o mais precioso metal, precisamos avançar no texto:

“E, tendo sido por divina revelação avisados em sonhos para que não voltassem a Herodes, regressaram por outro caminho à sua terra. Tendo eles partido, o anjo do Senhor apareceu a José em sonhos, e disse: Levanta-te, toma o menino e sua mãe, e foge para o Egito. Fica-te lá até que eu te avise, pois Herodes há de procurar o menino para o matar. Levantando-se ele, tomou de noite o menino e sua mãe, e foi para o Egito. Ali ficou até à morte de Herodes, para que se cumprisse o que foi dito da parte do Senhor pelo profeta: Do Egito chamei o meu Filho. Então Herodes, vendo-se iludido pelos magos, irritou-se muito e mandou matar a todos os meninos de Belém, e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, segundo o tempo em que diligentemente inquirira dos magos” (vv.12-16).

José era carpinteiro, e provavelmente tinha uma clientela em sua cidade. Deixá-la repentinamente para ir para um país estranho provavelmente seria dispendioso. Até que ele se firmasse profissionalmente no Egito, como ele poderia prover o sustento de sua família? Foi por isso, que Deus proveu todo aquele ouro através das mãos generosas dos magos.

Nosso Deus é um Deus de provisão e não de improvisos. Ele conhece o coração dos homens, e sabe o que nos espera lá na frente. Antes que nos aconteça qualquer coisa, Ele sempre nos envia os proventos necessários.

Talvez José jamais tenha entendido o motivo do incenso e até da mirra, uma vez que jamais precisou ser usada em Jesus. Mas ele entendeu perfeitamente a razão pela qual Deus lhes enviara todo aquele ouro.

Mas se os magos houvessem descarregado seus camelos no palácio de Herodes? E aqui devemos ponderar: onde temos descarregado nossos camelos? Em que temos investido nossos haveres? Que tal como Deus usou os magos, sejamos usados por Ele para suprir as necessidades de Sua obra, em vez de investir em projetos megalomaníacos de quem usa as Escrituras em nome de uma agenda secreta e de motivações nem sempre louváveis.

Feliz Natal!

| Autor: Hermes C. Fernandes | Divulgação: estudosgospel.Com.BR |

' LAVO MINHAS MÃOS!' - A GRANDE OMISSÃO


Que homem é este? Por que seu próprio povo o entrega para ser julgado? Estas eram algumas das perguntas acerca de Jesus que povoavam a cabeça de Pôncios Pilatos, homem da mais alta confiança de César, e que havia sido destacado para ser o governador da Judeia.

Jesus já havia passado pelas mãos do sinédrio e dos sacerdotes, mas estes, apesar de o considerarem digno de morte, acusando-o de heresia, nada podiam fazer. Não tinham autoridade para executá-lo. Por isso, enviou-o a Pilatos.

Temeroso da reação popular, já que Jesus gozava de popularidade invejável, Pilatos o envia a Herodes, o rei fantoche. Depois de divertir-se um pouco com o Galileu, Herodes o reenvia a Pilatos, pois também temia perder popularidade, caso o condenasse.

Jesus parecia um joguete nas mãos dos poderosos. Ninguém queria aquela “batata quente”.

Sem ter mais a quem apelar, Pilatos se viu numa sinuca de bico. Algumas horas antes aquele povo havia recepcionado a Jesus na entrada da cidade, bradando: Hosana ao Filho de Davi!

Se Pilatos o condenasse, ficaria bem com a casta sacerdotal, mas teria sua popularidade maculada. Se o absolvesse, ganharia o povo, mas perderia o apoio dos sacerdotes. E agora, José?

Quem nunca se viu numa saia-justa dessas? Do tipo, se correr o bicho pega, se ficar o bicho come?

A exemplo de Pilatos, recorremos a todas as instâncias, buscando manter-nos isentos. Preferimos omitir-nos, alegando não ser problema nosso. Mas algumas demandas são como bumerangue, vão e voltam, e caem no nosso colo.

De repente, ocorre a Pilatos que os judeus estavam em plena semana de Páscoa, ocasião em que, segundo a tradição, as autoridades levavam dois presos diante do povo, para que se escolhesse quem deveria receber indulto.

Não haveria momento melhor do que recorrer a tal tradição. Era uma espécie de jurisprudência, em que o juiz se baseia em decisões anteriores de seus colegas para resolver questões não previstas na lei, e assim poupar-se de ser acusado de arbitrariedade.

De fato, basear nossas ações em tradições nos protege. Caso cometamos qualquer erro, este entra na conta da tradição. Apenas repetimos um padrão estabelecido antes de nós.

Que mal tem? Meu pai agiu assim. Meu avô, idem. Por que deveria fazer diferente?

No fundo, isso não passa de um mecanismo que visa isentar-nos da responsabilidade.

Pilatos imaginou que trazendo diante do povo um meliante como Barrabás, Jesus facilmente escaparia daquela cilada armada pelos sacerdotes.

Quem em sã consciência escolheria um bandido de alta periculosidade em vez de um rabino de conduta ilibada?

Enquanto Barrabás é introduzido, e colocado ao lado de Jesus, a mulher de Pilatos se aproxima e sussurra em seu ouvido:

- Meu bem, não se mete com este homem. Andei tendo uns sonhos estranhos. Acho que ele é um santo e não seria justo você condená-lo por causa da pressão desta gente.

Quantas vezes Deus tem colocado ao nosso lado pessoas que nos servem como despertador para nossa consciência! Gente que percebe as coisas de um ângulo que não logramos enxergar. São nossos alter-egos. Aqueles que extraem de nós o que temos de melhor. Quando necessário, nos confrontam. Dizem o que nem sempre é o que queremos ouvir. Bem-aventurado é quem tem ao seu lado alguém que lhe faça pensar antes de agir.

Tudo indica que o argumento dela convenceu-o. Pilatos estava disposto a defender Jesus contra a inveja daqueles religiosos profissionais.

Os sacerdotes aproveitaram a distração, se infiltraram no meio do povo, e começaram a incitá-lo a pedir a liberdade para Barrabás, e a crucificação de Jesus.

Em poucos minutos, o mesmo povo que aclamara Jesus na véspera, agora estava convencido a pedir sua execução.

Em meio a turba, nossa consciência é suprimida. Nossos instintos são aflorados. Os valores vão para o ralo. Bem faríamos se considerássemos seriamente o mandamento: “Não seguirás a multidão para fazeres o mal; nem numa demanda falarás, tomando parte com a maioria para torcer o direito” (Êxodo 23:2).

Há líderes que dominam a malévola arte de manipular uma multidão. Com seu carisma a toda prova são capazes de jogar com as emoções das pessoas, levando-as das lágrimas às gargalhadas num intervalo de segundos. Com seu senso crítico suspenso durante a histeria coletiva, as pessoas se prestam a qualquer papel, inclusive o de tirar tudo o que têm no bolso e entregar nas mãos destes líderes inescrupulosos.

Pilatos se levanta, dirige-se à turba enfurecida e pergunta:
- E aí, minha gente, já decidiu? A quem devo soltar? Jesus, o gente boa, ou Barrabás, o cão chupado manga?

O coro já estava ensaiado. “Barrabás!” gritam os incautos.

- E quanto a Jesus, chamado Cristo, o que devo fazer?

Sem titubear, o povo grita: “Crucifica!!!”

Ele ainda tenta argumentar em defesa de Jesus. Mas os gritos abafam seus argumentos. O tumulto crescia, e antes que se perdesse o controle, Pilatos pede uma bacia com água, e diante de todos, faz um gesto que entraria para a história como o símbolo-mor da omissão.

- Vocês são testemunhas de que não vi nada de mal nesse homem. Por mim, ele seria liberado. Mas como vocês exigem a soltura de Barrabás e a sua crucificação, eu lavo minhas mãos. Sou inocente do sangue deste homem.

Quanto custa lavar as mãos numa situação como esta? Neste caso, enquanto as mãos de Pilatos saíram limpas, as mãos de Jesus saíram feridas, perfuradas por cravos que o penduraram na cruz.

É relativamente fácil lavar as mãos, omitir-se, deixar que outros decidam por nós; difícil é lavar a consciência, sabendo que poderia ter evitado uma injustiça e não o fez.

Assistindo àquele gesto insólito, a multidão respondeu:
- Que o seu sangue caia sobre nós e nossos filhos!

Meu Deus, onde aquela gente estava com a cabeça? Perderam totalmente o senso? Não perceberam o peso daquelas palavras?

Horas depois, enquanto percorria a via-crucis, Jesus viu algumas mulheres chorando, parou e disse-lhes: Não chorem por mim! Chorem por vocês e por seus filhos!

Cada decisão que tomamos afeta não apenas nossa vida, mas também à vida dos que nos cercam, bem como a daqueles que virão depois. Por isso, não temos o direito de agir inconsequentemente. Há que se ponderar a repercussão que nossas atitudes poderão ter no futuro.

Que o Senhor nos cerque de gente mais persuasiva que a mulher de Pilatos, que nos impeça de cometer precipitações e, sobretudo, injustiças. Que o Senhor nos livre de gente como aqueles sacerdotes movidos de ciúme e inveja, capazes de incitar o que há de pior em nossa natureza.

E que lá na frente, ninguém pague o pato pelas nossas precipitações.

Vai uma bacia de água aí?


| Autor: Hermes C. Fernandes | Divulgação: estudosgospel.Com.BR |

A PRÁTICA ESPIRITUAL DO AUTOEXAME


Sonda-me, ó Deus, e conhece o meu coração, prova-me e conhece os meus pensamentos; vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno (Salmos 139.23-24).

Para o evangelho de Jesus Cristo ser realmente a boa notícia, é necessário entendermos a terrível notícia do pecado. Thomas Watson, um puritano do século XVII, disse que “enquanto o pecado não for amargo, Cristo não será doce”. E não há como outra pessoa sentir esse gosto amargo do pecado por nós. Nós precisamos senti-lo. E para senti-lo, precisamos nos examinar. O conhecimento do pecado vem através da lei (Rm 3.19-20), mas é necessário aplicar a lei à nossa vida para vermos o quanto somos falhos e precisamos da justiça de Cristo.

O autoexame não é algo místico, como um “esvaziamento do eu” proposto pela espiritualidade oriental. Você não precisa ficar em uma posição corporal específica ou um determinado número de minutos em silêncio absoluto. O autoexame envolve tanto o coração quanto a mente. Devemos examinar nossas ações e motivações à luz da santidade de Deus revelada nas Escrituras. Não basta avaliar aquilo que fazemos, precisamos cavar mais fundo para chegarmos também às nossas motivações.

É verdade que ninguém conhece perfeitamente a si mesmo. Apenas Deus tem a capacidade de nos conhecer perfeitamente. Somos seres humanos limitados vivendo em um mundo caído. Nosso coração é enganoso e não somos capazes de discernir as próprias faltas (Jeremias 17.9; Salmos 19.12). Mas o Espírito Santo é poderoso para sondar nosso coração e nos convencer do pecado. Exatamente por isso que o autoexame não é um exercício espiritual isolado, mas deve ser praticado com a oração e a Palavra de Deus. O autoexame não é apenas psicológico, emocional ou racional. Ele é, acima de tudo, espiritual.

Um bom método para se utilizar nesse processo é o “revolucionário” método infantil do “por quê?”. Sabe quando as crianças estão naquela idade que qualquer coisa que você responda, depois sempre vem um “mas por quê?”? Use isso para examinar seu coração. Não se contente com conclusões superficiais sobre o seu pecado. Faça quantos porquês forem necessários até chegar à raiz dele.

Não se conforme também com aquilo que você conhece sobre santidade. Pergunte-se: Esse conhecimento tem sido aplicado à minha vida? Nas palavras de Jesus: “Ora, se sabeis estas coisas, bem-aventurado sois se as praticardes” (João 13.17). Perceber que estamos tão longe da santidade de Cristo nos levará a depender ainda mais da perfeita obra dele, e menos de nossas obras imperfeitas e manchadas pelo pecado.

Pode ser útil separar períodos específicos para se examinar, como antes de dormir por exemplo. Mas o autoexame deve fazer parte de nossas outras atividades. Assim, ao ler alguma passagem das Escrituras relacionada a julgamento e disciplina de Deus, não pense apenas “Como esse povo de Israel é idólatra!” ou “Como esses fariseus são hipócritas!”. Examine se os mesmos pecados também não tem feito parte da sua vida. Isso também é válido para sermões que você ouvir ou algum pecado que você ver alguém cometer. Não sejamos meros acusadores de pecados alheios, mas pessoas que se examinam e se reconhecem como grandes pecadores que precisam de um grande Salvador. Que esta resolução de Jonathan Edwards, feita quando ele tinha 22 anos, seja um incentivo para nós:

Resolvi agir e falar, em todas as circunstâncias, como se ninguém fosse tão vil quanto eu, e como se eu tivesse cometido os mesmos pecados ou tivesse as mesmas fraquezas e defeitos de outras pessoas. Resolvi que deixarei que o conhecimento dos defeitos delas contribua apenas para que eu me envergonhe de mim mesmo, e me permita uma ocasião para confessar meus próprios pecados e minha miséria a Deus.¹

Prepare-se para se entristecer com aquilo que vai encontrar. O mesmo Edwards declarou: “Quando olho para dentro de meu coração e observo minha iniqüidade, ele parece um abismo infinitamente mais fundo do que o próprio inferno”. O autoexame nos torna mais humildes por isso. Um maior conhecimento (espiritual e verdadeiro) de nós mesmos nos fará perceber que somos pecadores piores do que achamos que somos. Funciona como um antídoto contra o orgulho espiritual que podemos sentir ao nos compararmos com outros. Nosso padrão não é o mundo ou os irmãos na fé, mas Cristo e sua lei.

Mas o objetivo do autoexame não é simplesmente nos fazer sentirmos mais tristes e miseráveis. Passa por isso, mas não termina aí. Nosso intuito é perceber nossos pecados, nos quebrantar, nos levar ao arrependimento sincero e irmos ao trono da graça para perdão e purificação (veja 1 João 1.9). Entristecemo-nos com o pecado para irmos a Cristo receber a alegria da salvação.

O autoexame provavelmente lhe fará derramar muitas lágrimas, mas é o caminho para a graça de Deus em Cristo ser mais preciosa. “Porque a tristeza segundo Deus produz arrependimento para a salvação, que a ninguém traz pesar” (1 Coríntios 7.10a). Quanto mais amargo o pecado for, mais doce Cristo será. E quanto mais doce Cristo é para mim, maior amor terei por Ele. E quanto maior meu amor por Ele, mais amargo o pecado se tornará para mim. E quanto mais amargo o pecado, mas doce será Cristo… É o círculo virtuoso da santidade.

À medida que a convicção de nossa pecaminosidade cresce, maior amor teremos pelo nosso grande Salvador e Perdoador, “mas aquele a quem pouco se perdoa, pouca ama” (Lucas 7.47b). Os cristãos que mais amam a cruz de Cristo são aqueles que se enxergam como “o principal dos pecadores”.

| Autor: Alex Daher | Divulgação: estudosgospel.Com.BR |

UMA LIÇÃO DE PERDÃO NA ESCRAVIDÃO


Um escravo, criado com ensinamentos sobre a importância do perdão e do amor ao próximo, tornou-se de grande valor para o seu senhor, por causa da sua honradez e bom comportamento; tanto, que seu senhor o elevou a uma posição de importância, isto é, administrador das suas fazendas.

Numa ocasião, o seu senhor desejou comprar mais vinte escravos, e mandou que o novo administrador os escolhesse, dizendo que queria os mais fortes, e os que trabalhassem melhor.

O escravo foi ao mercado e começou a sua busca; fixou a vista num velho e decrépito escravo, e disse ao senhor que aquele havia de ser um dos escolhidos.

O senhor ficou surpreendido com a escolha, e não queria concordar, sem entender nada o pobre velho pediu que fossem indulgentes com ele.

O negociante então, disse que se eles comprassem vinte, daria o velho de graça.

A compra, portanto, foi feita, e os escravos foram levados para as fazendas do seu novo senhor; mas o antigo escravo tratou o velho decrépito com muito mais cuidado e atenção do que a qualquer dos outros.

Levou-o para sua casa, dava-lhe da sua comida, quando tinha frio, levava-o para o sol, quando tinha calor colocava-o debaixo das árvores de cacau, à sombra.

Admirado das atenções que o seu antigo escravo dispensava a um outro escravo, seu senhor lhe perguntou por que fazia isso.

- Decerto não se interessaria tanto por ele sem ter algum motivo especial: é teu parente, talvez teu pai?

O pobre escravo respondeu:

- Não senhor, ele não é meu pai.

- É então o teu irmão mais velho?

- Não senhor, ele não é meu irmão.

- Então é teu tio ou outro parente?

- Não tenho parentesco algum com ele, nem mesmo é meu amigo.

- Então - perguntou o seu senhor - por que motivo tem tanto interesse por ele?

- Ele é meu inimigo, senhor, respondeu o escravo, vendeu-me a um negociante, mas aprendi que devemos perdoar os nossos inimigos e que quando o teu inimigo tiver fome, dá-lhe de comer, e quando ele tiver sede, dá-lhe de beber, e esta é a oportunidade que tenho de colocar meus aprendizados em prática.


“Não é pela força, mas pelo perdão, que você domina os seus inimigos”.

PÉS GRANDES CORAÇÕES ENORMES




Existia, há algum tempo, uma sorveteria famosa, sempre lotada nos dias de calor.

Sorvete delicioso. Sabores variados. Clientela bem atendida.

Homens, mulheres, crianças, todos faziam fila e aguardavam pacientemente a sua vez. Tudo por um sorvete gostoso. Refrescante.

A menina sozinha, com o dinheiro na mão, também entrou na fila.

Esperou, sem reclamar, mesmo quando uns garotos passaram à sua frente, sem cerimônia e sem polidez.

Quando chegou ao caixa, antes que pudesse falar qualquer coisa, o funcionário lhe ordenou que saísse e lesse o cartaz na porta.

Ela baixou a cabeça, engoliu em seco e saiu. E leu o cartaz, bem grande, na porta de entrada que dizia: “proibido entrar descalço!”.

Olhou para os seus pés descalços e sentiu as lágrimas em seus olhos e o gosto do sorvete não comprado se diluindo na boca.

Ia se retirando, cabisbaixa, quando uma mão forte a tocou no ombro. Era um homem alto e muito grande. Para a menininha, ele parecia um gigante.

Foi com ela até o meio-fio, sentou-se e tirou os seus sapatos número 44 e os colocou em frente a ela.

Depois, a suspendeu e enfiou os pés dela nos seus sapatos.

- “Eu fico aqui, esperando”, disse ele. “Vá buscar o seu sorvete! Não tenho pressa”.

Ela foi deslizando os pés, arrastando os sapatos, até o caixa.

Comprou sua ficha e saiu, vitoriosa, com seu sorvete na mão.

Quando foi devolver os sapatos para aquele homem, ela se deu conta de que se ele tinha pés enormes, muito maior ainda era o seu coração.


“A verdadeira compaixão é sempre boa e benevolente; ela está mais no gesto que no fato”.

O NASCIMENTO DE UM GRANDE SONHADOR



Em 21 de março de 1960 nascia Ayrton Senna da Silva, um grande sonhador...

– Se contar, eu nego.

Esta era a condição inegociável que Ayrton Senna exigia para ajudar as pessoas por quem se sensibilizava. Sigilo total. Imprensa, jamais. Uma discrição absoluta que se estendia até mesmo para o âmbito da família e dos assessores de confiança. Um compromisso que perdurou depois de sua morte, a ponto de dona Neyde Senna, mãe de Ayrton, mais de uma década depois de sua morte, continuar declinando educadamente quando alguém sugerisse que ela tornasse, enfim, públicos certos gestos de caridade do filho.

Julian Jakobi, empresário de Ayrton, não revelou os valores, mas confirmou que ele, de tempos em tempos, costumava ligar de algum lugar do planeta e pedir que doasse dinheiro para instituições ou pessoas. Durante os conflitos da Bósnia, no início dos anos 90, Senna ligou e orientou Julian para que ele ajudasse as crianças vítimas da guerra. E, como sempre, determinou:

– Não fala nada disso para o Fabio.

O primo Fabio Machado, principal responsável pelos negócios de Ayrton no Brasil, não ficava sabendo. E quando recebia ordem de Senna para mandar dinheiro para alguma pessoa ou instituição no Brasil ou do exterior, ela também vinha acompanhada de uma determinação:

– Não fala nada disso para o Julian.

Todas as pessoas íntimas de Ayrton guardavam a mesma impressão: Ayrton detestava a possibilidade de seus gestos de caridade serem interpretados como promoção pessoal. Por isso, poucas pessoas souberam que, depois de uma reunião com Senna em seu escritório de São Paulo, no início dos anos 90, diretores da Apae, do Hospital do Câncer e da AACD receberam, cada um, cem mil dólares. Nem todos os beneficiados conseguiram manter o compromisso de calar sobre sua generosidade.

A preocupação ia das crianças hemofílicas de São Paulo aos índios e seringueiros da reserva extrativa de Alto Juruá, no Acre, que receberam, em 1994, cerca de cinqüenta mil dólares para a formação de uma equipe médica para a reserva.

Em alguns momentos, a decisão de ajudar foi precedida de momentos de profundo sofrimento. Como no dia em que Ayrton visitou uma entidade de assistência a crianças portadoras de graves deficiências. De tão chocado com o quadro que viu, três irmãos portadores de graves deformações, Ayrton começou a passar mal e foi amparado pelas crianças que ele ajudaria. Voltou para a casa dos pais devastado com o que vira.

A reação do filho não surpreendeu dona Neyde. Desde a infância, Ayrton demonstrava um sentimento genuíno de compaixão pelos desfavorecidos. Como no dia em que um dos meninos pobres que moravam perto de sua casa, em Santana, bateu à porta. Era um Natal no final dos anos 60. Dona Neyde descobriu, nas palavras do menino, que Ayrton tinha cuidado do presente dele:

– Vim buscar a bicicleta.



Extraído do livro “Ayrton – o herói revelado”, de Ernesto Rodrigues (Editora Objetiva).


“Eu tenho saudade do que não vivi. Tenho saudade de lugares onde não fui e de pessoas que não conheci. Tenho saudade de uma época que não vivenciei, lembranças de um tempo que mesmo sem fazer parte do meu passado, marcou presença e deixou legado...”. 

- Rui Barbosa

O QUE MAIS SE PREOCUPAVA


Certa vez houve um concurso numa escola, cujo tema era: “a criança que mais se preocupa com os outros”.

O vencedor foi um menino cujo vizinho – um senhor de mais de oitenta anos – acabara de ficar viúvo. Ao notar o velhinho no seu quintal, em lágrimas, o garoto pulou a cerca, sentou-se no seu colo e ali ficou por muito tempo.

Quando voltou para casa, a mãe lhe perguntou o que dissera ao pobre homem.

– Nada – disse o menino. – Ele tinha perdido a sua mulher, e isso deve ter doido muito. Eu fui apenas ajudá-lo a chorar.


“A beleza das pessoas está na capacidade de amar e encontrar no próximo a continuidade de seu ser.”

POUPANDO A ENERGIA QUE RESTA


Dois rabinos tentam, de todas as maneiras, levar o conforto espiritual aos judeus na Alemanha nazista. Durante dois anos, embora mortos de medo, enganam a Gestapo – a temível polícia de Adolf Hitler – e realizam ofícios religiosos em várias comunidades.

Finalmente são descobertos e presos. Um dos rabinos, apavorado com o que pode acontecer dali por diante, não pára de rezar. O outro, ao contrário, passa o dia inteiro dormindo.

– Por que você esta agindo assim? – pergunta o rabino assustado.

– Para salvar minhas forças. Sei que vou precisar delas daqui por diante.

– Mas você não está com medo? Não sabe o que pode nos acontecer?

– Eu estava em pânico, até o momento da prisão. Agora que estou nesta cela, de que adianta temer o que já aconteceu? O tempo do medo acabou; agora começa o tempo da esperança.


“A violência fascina os moralmente fracos.”

 - Albert Einstein

O PLANTADOR DE ÁRVORES


Um rei seguia pela estrada com sua comitiva, quando viu um homem velho plantando uma arvorezinha.

Achou aquela atitude muito estranha, já que a árvore demoraria em crescer e, quando pudesse dar frutos, o velho, na certa, não estaria mais lá para aproveitar.

E então, o rei perguntou ao velho plantador de árvores por que insistia numa tarefa tão inútil. Ao que o homem respondeu:

- Fico feliz em plantar, mesmo não sendo eu quem vai colher. Não estamos aproveitando hoje as árvores que foram plantadas há muitos anos? Plantar é o que importa. Não o colher.

O rei considerou sábia a atitude do homem e, comovido, entregou um saco com muitas moedas de ouro como prêmio à sabedoria do plantador de árvores.

E ele agradeceu assim:

- Viu como são as coisas? Eu mal acabei de plantar e já estou colhendo frutos valiosos.


“O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória. Por isso, tenha cuidado com o que planta”. 


- Pensamento Chinês

A CARROÇA VAZIA


Certa manhã, meu pai, muito sábio, convidou-me a dar um passeio no bosque e eu aceitei com prazer. Ele se deteve numa clareira e depois de um pequeno silêncio me perguntou:

- Além do cantar dos pássaros, você está ouvindo mais alguma coisa?

Apurei os ouvidos alguns segundos e respondi:

- Estou ouvindo um barulho de carroça.

- Isso mesmo - disse meu pai - é uma carroça vazia.

Perguntei ao meu pai:

- Como pode saber que a carroça está vazia, se ainda não a vimos?

- Ora - respondeu meu pai - é muito fácil saber que uma carroça está vazia por causa do barulho. Quanto mais vazia a carroça, maior é o barulho que faz.

Tornei-me adulto, e até hoje, quando vejo uma pessoa falando demais, gritando (no sentido de intimidar), tratando o próximo com grossura inoportuna, prepotente, interrompendo a conversa de todo mundo e, querendo demonstrar que é a dona da razão e da verdade absoluta, tenho a impressão de ouvir a voz do meu pai dizendo:

“Quanto mais vazia a carroça, mais barulho ela faz”.


“Se não quiserdes punir os homens amanhã, educai-os hoje”.

 - Pitágoras