11/01/2014

OS MENINOS DO BRASIL


Toda vez que uma Copa do Mundo se aproxima, torna-se difícil encontrarmos brasileiros indiferentes ao torneio. Alguém que não sinta um “frio na barriga”, ao ver a Seleção Brasileira entrar em campo.

Para muitos de nós, aqueles homens, são onze guerreiros em campo em nome de um país. A maioria deles, meninos de origem humilde e que até a poucos anos, assim como nós acompanhavam ansiosamente os jogos da “Seleção Canarinho” pela televisão, mas que agora, se vêem transformados em heróis nacionais, praticamente do dia para a noite, carregando a responsabilidade de não decepcionar milhões de brasileiros.

No entanto, como sociedade, o que fizemos por esses meninos durante sua infância e adolescência? No que contribuímos para a sua formação, seu crescimento como seres humanos e desenvolvimento sócio-econômico, para exigirmos tamanha responsabilidade em nome de uma nação?

Meninos, assim como tantos outros, que levam sua habilidade e seus sonhos para os “campinhos de terra batida” da periferia de nosso país. Talvez ali, na nossa esquina, eles estejam agora mesmo, dividindo seu tempo entre a bola e os faróis, tão pertinho de cada um de nós. Buscando sonhos, porém, infelizmente, na sua esmagadora maioria, encontrando pesadelos e decepções.

A Seleção Brasileira é, sem dúvida alguma, nossa maior referência no exterior e essa “marca”, assim como todas as oportunidades geradas com o futebol de uma forma geral, e com a Copa do Mundo, mais especificamente, podem e devem ser melhor aproveitadas, para que alcancemos as reais possibilidades de geração de renda, abertura de novos postos de trabalho e melhores perspectivas de desenvolvimento social no país, advindos deste importante segmento para a nossa economia.

Atualmente, a periferia, principalmente das grandes cidades - o principal celeiro de nossos craques - não se beneficia de investimentos nas áreas social, educacional e cultural, com parte do valor arrecadado pela iniciativa privada e governo, gerados pelo futebol.

Certamente, trata-se de uma estratégia equivocada, visto que, sem investimentos nessas comunidades, colocamos em risco o “ambiente natural” de surgimento de grande parte de nossos maiores craques, sem contarmos os diversos “Ronaldinhos” da engenharia, medicina, pedagogia e tantas outras áreas de extrema importância para um país, que deixam de surgir, impossibilitando que nosso país se transforme realmente em um verdadeiro campeão.



“Como explicar a um menino o que é felicidade? Não explique, apenas lhe dê uma bola para que ele jogue...” 

Dorothee Sölle (Teóloga Alemã)