22/05/2014

SOLITÁRIO NUNCA MAIS


Elmer G. Klassen


Se Deus o escolheu por uma razão muito especial, ele o desejará como propriedade exclusiva. Desejará que você o ame acima de tudo e de todos. A fim de dar-lhe liberdade para amá-lo acima de tudo, ele terá de conduzi-lo por muita solidão. A solidão abre a porta para companheirismo com Deus, e o faz ingressar na escola onde ele mesmo será o seu mestre.

Solidão foi a porção de muitas pessoas especiais na Bíblia, e de homens e mulheres que abençoaram a igreja durante a história. Rejeitar a solidão ordenada por Deus, e encher os espaços com coisas deste mundo ou com atividades para distrair-nos dele, é rejeitar o melhor de Deus e perder a maior oportunidade de ser uma parte vital no reino de Deus para toda a eternidade.

A solidão abre as portas para comunhão com Deus e para aprender lições jamais possíveis em outro lugar. Aprender a dependência de Deus é muito desejável – depois que a aprendemos. É tão desejável que se transformará em sucesso em qualquer área da vida, contanto que as lições aprendidas de Deus não sejam esquecidas.

Se aprendermos as lições durante a solidão, ganharemos intimidade e relacionamento duradouro com Deus. Aprenderemos também a ter relacionamentos duradouros com pessoas.
Quando Deus falou com Abraão para deixar sua terra, seu povo, e sua família, para ir a um país distante a fim de aprender a ter fé em Deus, ele obedeceu e aceitou uma vida de solidão para tornar-se pai de muitas nações.

José ficou solitário numa cela de prisão, depois de ser arrancado da sua família e da sua terra. Entretanto, foi assim que ganhou favor diante do mundo inteiro.
Davi aprendeu suas lições numa escola de solidão que começou já na sua infância. Depois de alcançar a fama, passou novamente por solidão que o preparou para exercer uma boa liderança. Ele aprendeu a ter comunhão com Deus e ganhou o respeito do povo de Deus daí para frente.

O apóstolo Paulo passou por anos de solidão em que buscou a comunhão com Deus. Sabemos muito pouco sobre seus anos de solidão em Tarso, depois de ter começado a evangelizar com fervor logo após sua conversão. Ele levou uns dez anos para aprender as lições e poder testemunhar a operação do Espírito Santo no seu ministério, conduzindo pessoas à conversão. Foi durante seu tempo solitário na prisão que escreveu as cartas que passaram a fazer parte do Novo Testamento.

Solidão é a escola que nos ensina a depender de Deus. Quando aprendermos esta lição, atrairá outras pessoas com o mesmo desejo. Deus também passou por tempos de solidão em nosso favor, para que hoje pudéssemos ter comunhão com ele e com outros cristãos no mundo inteiro.
Os cristãos passam por tempos de solidão, mas quando aprenderem as lições, nunca mais serão solitários. Terão comunhão com Deus e com o povo dele.

Encontrei recentemente a seguinte história verdadeira de vitória sobre solidão: Robert Harkness era um pregador e autor de hinos na Austrália. Numa certa viagem evangelística, ele ficou hospedado numa próspera fazenda de ovelhas, no interior daquele país. Na espaçosa sala de estar havia um lindo piano, e Robert aproximou-se dele, pensando em tocar alguns hinos antes se acomodar para a noite. Mas abruptamente, a dona da casa o impediu: “Você não pode tocar neste piano!”

“Por que?” ele perguntou, chocado.

A senhora passou então a explicar a história triste. “Meu filho era estudante na escola de medicina. Ele também tocava muito bem o piano. Tinha costume de tocar por horas a fio. A casa ficava cheia de música. Mas um dia foi recrutado pelo exército (Primeira Guerra Mundial), enviado para a Turquia, e nunca mais voltou. Não suporto a pensamento de qualquer outra pessoa tocar no piano do nosso filho. Sua memória é inesquecível e extremamente dolorosa para mim.”

Robert Harkness ficou acuado. Mas num instante, Deus lhe mostrou como consolar este coração partido de mãe. Abrindo seu Novo Testamento, leu em 1 Pedro 5.7: “Lançai sobre ele toda a vossa ansiedade, porque ele tem cuidado de vós”. Então se despediram para a noite.
Na manhã seguinte, a senhora animadamente os convidou para tomar café, e logo foi dizendo: 

“Não estou mais solitária; Jesus é o Amigo de amigos para mim”.

Esta frase encontrou uma ressonância no coração de Robert. “Por favor,” ele disse, “repita esta frase.” Depois que ela o fez, ele pediu: “Posso colocá-la à música?”

“Sim, por favor faça”, ela respondeu.

Naquele momento, o piano que fora por tanto tempo um monumento morto ressuscitou-se com os acordes da música “Solitário Nunca Mais”. As notas e acordes fluíram das suas mãos para as teclas do piano abandonado, expressando a alegria e esperança de se ter Jesus como o “Amigo dos amigos”.

Quando visitamos os imensos cemitérios em Gallipoli, onde o filho dela morrera, um epitáfio trouxe este testemunho: “Ele trocou seu uniforme de exército por uma roupa branca resplandecente”.

Abaixo a letra da música que foi composta naquela ocasião:

“Solitário Nunca Mais”

Robert Harkness


Nas veredas da vida nunca estou solitário
Meu Senhor está comigo, meu Senhor divino;
Um Guia sempre presente, confio somente nele,
Não estou mais solitário, pois ele é meu.

Não ficarei sozinho na minha tristeza,
Ele me sustentará até o fim;
A noite mais escura será transformada em manhã brilhante,
Nunca mais solitário! Ele é meu amigo.

Não estarei sozinho no vale,
Ainda que as sombras venham, não temerei;
Ele prometeu sempre me sustentar,
Nunca mais solitário! Ele estará por perto.

Nunca mais solitário, nunca mais solitário,
Pois Jesus é o Amigo dos amigos para mim;
Nunca mais solitário, nunca mais solitário,
Pois Jesus é Amigo dos amigos para mim.