11/01/2014

A LARANJA


Senhor Juca estava trabalhando em seu pequeno pomar, quando descobriu entre as frutas verdes, uma bonita laranja, madura e apetitosa.
Fazia calor e ele estava com sede. Por isso mesmo exclamou:

- Que maravilha! Já tenho com o que me refrescar!
E, muito contente, abriu o canivete, pronto para saborear a refrescante fruta. Porém, não chegou a descascar a bonita laranja. É que pensou na mulher e a imaginou cansada e suada perto do fogão.

- Pobrezinha! - murmurou pensativo - vou levar-lhe a primeira laranja de nosso pomar.
A esposa recebeu o presente muito alegre. Entretanto, por sua vez, lembrou-se da filha, que não tardaria a voltar do ribeirão, onde estava lavando roupas.
- Pobre pequena! - comentou ela - com esse calor, muito apreciará esta laranja! E isso dizendo, guardou a fruta para a filhinha.

Quando a menina chegou, ficou muito contente ao receber a laranja. Mas, pensando no irmão que não demoraria a estar de volta da vila, aonde fora vender hortaliças, falou, decidida:
- Ele voltará cansado e com sede. Com que prazer ele chupará esses gomos!
E, já feliz com a idéia, correu a porteira a esperar o rapaz que logo apareceu, suado e cansado conforme ela previra.

O irmão, satisfeito com a lembrança da menina, examinou a linda fruta, tomado de guloso interesse. Entretanto, quando se dispunha a descascá-la, lembrou se do pai e disse, contendo-se:
- É o nosso bom velho que deve saboreá-la. Ele é quem trabalha sem descanso no pomar, e foi ele que plantou a árvore que deu tão bela fruta. E sem vacilar foi ao encontro do pai que, comovido, agradeceu o carinho da lembrança, sem tecer, no entanto, maiores comentários.

Naquela mesma tarde, porém, depois do jantar, ainda reunidos em torno da mesa, Juca agradeceu a Deus a felicidade que reinava em seu modesto lar. Depois, ante a surpresa da família, colocou num prato a bonita, madura e apetitosa laranja, e todos puderam se deliciar com os gomos da refrescante fruta que encontrara no pomar.


“Aquele que não sabe repartir não sabe amar”.